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CARTAS DE DESCULPAS


















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Querida AMOR

Queria te pedir desculpa pela total falta de paciência que eu demonstrei ontem à noite, mas se tem uma coisa que me deixa profundamente irritado, pra não dizer aborrecido e até apavorado, é essa sua história (que se repete sistematicamente) do a gente tem que conversar.
Tudo bem, eu concordo com você: a gente tem que conversar sempre. E é por isso que eu adoro conversar consigo, estar consigo a qualquer hora do dia ou da noite, falar sobre qualquer assunto ou circunstância da maneira mais natural do mundo, acho que é por isso que a gente se dá tão bem.
Quero lhe pedir desculpa pela maneira abrupta com que eu interrompi a sua tentativa de conversar um pouco. Também quero pedir desculpas por ter ido embora assim de sopetão. Mas, minha querida, da próxima vez que você quiser conversar sobre a nossa relação, coloque as coisas mais naturalmente. Não venha com este preâmbulo, com esta frase introdutória que, aliás, é uma frase feita que só afasta e apavora quem tem sempre boas intenções para consigo. Esse a gente tem que conversar parece-me muito inquiridor, mas perdão mais uma vez pelo meu mau-humor exagerado.

Beijo do seu, BRUNO BASTOS

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Minha querida, mil desculpas!

Não precisavas de ficar tão zangada comigo! Eu apenas me expressei mal. Quando disse que parecias a minha avó, não quis dizer que estás velha, mas apenas me lembrei que és tão meiga e delicada quanto a minha avózinha; isso, aquela que conheces, a velha Violeta, que mora lá no Sul!
É que não tens a menor paciência comigo e tomas tudo ao "pé-da-letra", caramba! Eu só estava a querer ser gentil contigo e, portanto, acho uma injustiça ficares este tempo todo sem quereres falar comigo. Ainda mais que eu sei que não paras de ouvir aquela música do Djavan na qual ele diz que "Deus criou a via-láctea e os dinossauros pensando em você"... A via-láctea, tudo bem; mas, os dinossauros é demais, não é! Já pensaste se eu te dissesse uma coisa dessas? Eras capaz de dar-me com o rolo da massa bem no meio dos cornos (ops, olha só eu a expressar-me mal outra vez, ainda bem que isto é uma carta e dá tempo de explicar que eu não quis chamar-te de infiel)! Mas, voltando à história dos dinossauros, se fosse eu, ficarias danada, mas o Djavan a cantar, tu já achas o máximo.
Queres saber mais: outro dia ficaste nervosa só porque eu disse que a tua mãe se parece com a Erundina. Vê se é possível, ficares irritada por causa disso? Eu só queria dizer que a tua mãe é uma pessoa batalhadora e luta pelos seus objectivos. Foi um elogio, mas até tu perceberes, fiquei a repetir explicações como um papagaio de circo e quase que te chamei de burra, de tão teimosa e irredutível que estavas. Caramba, ainda bem que eu não disse que eras burra, não é minha flor*?

Um beijo do
BRUNO BASTOS

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mor

espero que recebas e aceites esta cartinha como mais um sincero pedido de desculpas. Errei, fui extremamente infeliz quando disse o que disse, mas não o fiz com intenção de ofender-te e, mais importante, intimamente jamais acreditei que pudesses fazer o que eu, numa brincadeira leviana e irresponsável, sugeri. Fui indelicado como não costumo ser, e o meu maior erro foi ter sido assim indelicado com a pessoa que menos merece indelicadezas de minha parte, pois és a pessoa que me fez recuperar a alegria de viver. Peço, portanto, o teu perdão e tenho esperanças de que mo concedas, pois a tua alma é nobre e nela não há lugar para o rancor, apesar da mágoa que eu sei que te causei e da qual me arrependo e penitencio.
Passadas algumas horas (tristes, a bem da verdade), penso que fui muito estúpido, pois já te conheço o suficiente para saber que aquilo que disse seria ofensivo para ti. Não vou agora cantar um fado ou falar de amor a metros, pois sabes o quanto gosto de ti, e eu sei e acredito no quanto gostas de mim, embora neste momento estejas magoada com razão.
Estou triste e ao mesmo tempo irritado comigo mesmo pela estupidez que cometi. Perdoa-me, por favor.
BRUNO BASTOS